10 de nov de 2011

"(...) - Há ocasiões em que um homem chega a enjoar da própria luz do sol. Vê tudo com tanta clareza que acaba  ficando cego e não vê mais nada. Às vezes, é a razão que lhe dá náuseas porque os fluidos que lhe alimentavam os sonhos se estancam. Está então na hora de partir, de prender uma concha ao chapéu, de tomar o bordão de peregrino e sair pela estrada.
- Que estrada?
- Para o lugar do desconhecido.
- E onde é que fica isso?
- É um lugar onde se é estranho e porque se é forasteiro e solitário, talvez se tenha medo.
- Nesse momento, tenho medo até de andar pela cidade, que conheço como a palma de minhas mãos. Tenho receio de me olhar num espelho porque irei ver o medo em meus olhos. (...)"

(O verão do lobo vermelho - Morris West) 

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